Destaque

enxurrada

é enxurrada de borboletas em meu suco gástrico

as náuseas do anseio e do susto são o que me mantém acordada na levante da noite dessa estação quente e o que acelera o bombeamento do sangue do meu corpo é puro medo do futuro que se arrasta às pressas para dentro desse quarto frio e escuro

os movimentos repetitivos são vários
coração pé coração pé coração pé

e mesmo quando fecho meus olhos falando meu próprio idioma enraizado eu te escuto e nunca desejei tanto esse barulho que você me traz

você soa feito mulher viva e treme o chão fértil que se choca com a presença
o que eu vou te oferecer?
carrego o peito repleto de amores ausentes e não consigo ver o caminho a frente devido a visão falha e turva de tragédias

cada célula da minha carne deseja a movimentação enquanto a minha alma sufoca por ajuda – mas no final é só silêncio

que você supere o meu ruim e receba toda a minha luz por inteiro pois minha entrega é gradual e cautelosa mas eu juro que os toques carregam várias vozes e sussurros que um dia você aprenderá a ouvir
e quando os fizer
afirmo que brilharão só pra ti

e apesar de já ter recebido textos que acanharam o intelecto por remeterem de mulheres que não confiam no amor de artistas eu guardei todo o meu eu supérfluo em minhas próprias entranhas para agora vomitá-lo nessa quase declaração de amor

como vivo de espelhos e me construo do passado lhe descrevo como a repetida tormenta:

mulher do corpo que inunda e sacia
das ondas salgadas e do choque de cristalinas
cujo sol reflete o anseio de iemanjá
te prometo coragem e bravura
ademais de outras entregas rápidas
para navegar da imensidão do seu ser
(e afogo-me se necessário for)

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